Você é feliz fora da internet?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012Você é feliz? Ou melhor: você aparenta estar feliz? O sorriso há muito deixou de ser cartão de visitas para quem quer mostrar ao mundo que está contente. Agora, quem faz isso é seu perfil no Facebook. Mas será que essa felicidade é realmente sincera? O álbum de fotos “comercial de margarina” talvez não reflita com exatidão como nossas vidas são de verdade.
Para falar sobre o assunto, convidamos um time de gente que usa a tecnologia como ferramenta, mas não se deixa levar pela superficialidade das aparências. A jornalista Mona Dorf, o velejador Beto Pandiani e o escritor e jornalista Gilberto Dimenstein trocaram ideias e experiências sobre o que é a felicidade. A bem-humorada, Rosana Hermann, mediou o debate “A cultura da felicidade na internet”, que aconteceu ontem no palco Mídias Sociais da #cpbr5.
Dizer que as pessoas sempre são felizes no Facebook já virou lugar comum. Mas Mona Dorf inovou ao chamá-lo de “Fakebook”. Falso ou não, já não conseguimos mais imaginar nossa vida sem as redes sociais. No entanto, as vezes é bom buscar novas distrações. “Velejo muito no mar aberto, sem proteção. Lá gente sente mais do que pensa” contou Beto Pandiani, entusiasta das atividades solitárias. “Não entendo porque tanta gente tem medo de ficar sozinha. Solidão é diferente de solitude. Nessa você tem plenitude e sente-se bem”, diferencia.
Mas então, seria a internet uma forma de estarmos sempre acompanhados? Gilberto Dimenstein não é adepto dessa corrente. “A internet não consegue substituir a presença real, nada substitui o contato presencial”, disse enfático.
Mas, e se a internet fosse também um meio para se distrair do que realmente incomoda? “Muitas vezes as pessoas nem percebem que estão tristes e tentam sublimar esse sentimento. As vezes passar muito tempo na internet serve como um remédio”, aposta Beto.
Ok, estamos disfarçando sentimentos. Mas, afinal, o que é felicidade? A pergunta não poderia ser mais subjetiva. Mas Gilberto nos deu uma bela resposta:
“Felicidade é diferente de alegria. Felicidade é a capacidade de optar entre diferentes caminhos. Quanto mais opções você tem na vida, mais chances tem de exercer sua liberdade. E, pra mim, isso é felicidade. Aliás, o que eu gosto em São Paulo é justamente a diversidade. Felicidade, pra mim, é ajudar a cidade a ser um grande espaço de diversidade [coisa que ele faz muito bem através do site Catraca Livre].”
Mas, além de opção, Gilberto acredita que o movimento é essencial para ser feliz. “A felicidade não acontece sem movimento, mesmo que seja um movimento interior, quando você está sozinho meditando, por exemplo”, complementa.
O narcisismo também pode ser uma das armadilhas para quem está na rede. “Quem é muito egocêntrico não sabe compartilhar. Aí, poderá querer ser medido por quantos amigos tem no Facebook. Se a pessoa morrer vai ter mil amigos no velório? Se precisar de dinheiro terá mil pessoas pra emprestar?” questiona Gilberto, que repudia a sensação de superficialidade desse novo comportamento.
Mas, ainda sobre internet, Rosana Hermann acredita que tanto humor na rede também aponta uma falta de reflexão sobre a vida. “Hoje, todo mundo quer ser engraçado. Ninguém quer ser culto ou poeta”. Para ela, ainda estamos na infância da internet. “Muita gente ainda ‘toca a campainha pra sair correndo’ na rede, é a cultura da trollagem que impera”, diz a jornalista, ávida por perceber novos comportamentos na rede.
Na internet ou na “vida real”, a reflexão parece ser um ótimo caminho para interagir e criar laços sociais.




















