Ainda durante a Campus Party Brasil: por uma web mais feminina
Quando se pensa em internet, existe certa predominância masculina na maioria dos quesitos, principalmente na fabricação e invenção de novas tecnologias. Antigamente, o papel da mulher no mundo virtual não era muito significativo, porém, ao passar dos anos, isso mudou. Antenada nesse assunto, a #CPBR5 convidou seis nomes importantes do universo feminino para debater e comentar sobre essa questão: Julia Petit (veja entrevista com ela aqui), Nina Lemos, Giovana Penatti, Lola Aronovich, Daniela Dantas, com mediação de Fernanda Pineda.
Julia é blogueira, apresentadora do programa “Base Aliada” no canal GNT e produtora musical. Nina é jornalista e escreve para a revista “TPM”. Daniela Dantas escreve no blog “Meninas e Garotas”. Lola é professora na Universidade Federal do Ceará e blogueira no “Escreva Lola Escreva”. Giovana é editora do “YouPIX” e escritora do blog “Garotas Geeks”. Fernanda é atriz, produtora e blogueira do “Fake-Doll”.
Para as convidadas, o mito do “Clube da Luluzinha” ainda é muito recorrente entre as mulheres. “Mulher gosta de conversar entre si, não só pelos assuntos parecidos, mas por que mulher entende esse universo.”, diz Julia. Lola acredita que o que ocorre é o contrário. Há mais “Clube do Bolinha” do que o da “Luluzinha” e são eles quem tem mais preconceito. A professora comenta que a maioria das piadas é proveniente dos homens e que enxerga esse tipo de atitude como infantil.
O público mais jovem, representado pela blogueira Daniela, diz que os meninos são público participante nas enquetes do blog, que é predominantemente feminino. Pensando na área de conteúdo, Julia acredita na natureza feminina de falar muito e, com assuntos direcionados, a facilidade da compreensão também aumenta. Para provar isso, Julia revela gostar de conteúdos masculinos, mais até do que os femininos.
Democratizar o uso da internet é abrir espaço para o compartilhamento tanto da produção, quanto do consumo de informação, por parte dos usuários e é esse tipo de atitude que todas as convidadas aprovam e incentivam. O único problema, cita Lola, é o aumento dos insultos ou as famosas “trollagens”. Fernanda pergunta se se importar com os comentários ruins é necessário e a professora diz que a melhor maneira de sobreviver à internet é ignorar e não dar atenção a esse tipo de coisa.
Continuando o assunto de trollagens, Nina comenta que os gamers adoram trollar a mulher. “Na web você vê cada tipo de comentário. Se há algo de errado, a figura feminina é chamada de mal-amada, feia, invejosa e por aí vai.” Todas acreditam que esse tipo de atitude provém da sociedade machista em que vivemos, mas também, de muita mulher, ao contrário do que muitos pensam.
“Trollar é inerente a internet” diz Julia. Para ela, as pessoas que fazem comentários jocosos na web são a antiga “turma do fundão” da escola. No entanto, esse tipo de piada muitas vezes não vem de graça, devido a uma superexposição do usuário. Giovana acredita que não há esse tipo de exposição, pois existe a liberdade de expressão, então, cada um sabe o que faz. Julia concorda e acrescenta que saber o limite do que se faz, se posta na internet se faz necessário. Lola afirma que se uma pessoa posta alguma coisa, ela tem que arcar com as consequências de tudo. Nina discorda, em partes, do quesito superexposição, pois, para ela, ninguém é 100% o que compartilha. “Nós selecionamos as fotos, pensamos duas vezes antes de colocarmos um comentário no Facebook.”, comenta a jornalista.
As convidadas acreditam na ampliação do público, algo que acontece ao longo dos anos. Com o boom de blogs e com o aumento do acesso à internet, a mulher passou a procurar mais informações do seu interesse na web. Contudo, essa avalanche de conteúdo piorou a questão consumismo nas pessoas. Antigamente, você consumia pouco pois sabia-se pouco. Hoje, a pressão, implícita, feita pelas mídias sociais é tão grande que as pessoas acabam comprando peças que possuem aos montes, sem necessidade alguma. “A falta de filtro nas informações é um dos grandes culpados dessa massificação do desejo de compra.”, comenta Giovana.
Na parte final do bate-papo, as convidadas se mostraram contentes com o avanço feminino na área tecnológica e receosas com a falta de conhecimento, por parte das mulheres, das ferramentas que são utilizadas para o trabalho. E é por isso que a Campus Party sempre tenta reunir diversos segmentos, como robótica e artes digitais, por exemplo, para que, durante uma semana, o participante possa ter contato com essas áreas e abrir a mente para novos conteúdos.
Tainá Goulart
Voluntária
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