Saiu no O Estado de São Paulo - WEB: ?ndios.eletrônicos.com.br

No princípio, eram os nerds. E antes que se pudesse entender direito que tribo era aquela, vieram os escovadores de bits, os geeks, os novos geeks, os noobs, a comunidade gamer, a turma do mooding, a galera dos blogs, os acadêmicos da robótica, a militância do software livre… Na segunda-feira, já eram 1.800 os acampados sob a designação genérica de “campuseiros? no segundo andar do prédio da Bienal. Programa de índio cibernético que a imprensa apelidou de “Carnaval dos Nerds?, “Woodstock da Tecnologia?, “São Paulo Fashion Geek?, “Nerdstock?, sem explicar direito que diabos seria, afinal, essa tal de Campus Party - até hoje no Ibirapuera.

A compreensão do evento ficou tão difícil quanto devem ter sido os primeiros contatos com os Yanomamis. Que gente é aquela? Foi noticiado que 120 jovens já haviam passado na terça-feira pelo centro médico do Pavilhão com pressão baixa, hipoglicemia e enjôos. Informaram, também, que eles não gostam de dançar, não ligam para moda oficial, pelo menos lá não bebem nem fumam, jogam o tempo todo. Vivem num mundo em que todo prazer emana do computador, mas - repetia um porta-voz da organização - estavam ali justamente para provar que a Internet é uma rede de pessoas. Enfim, gente como a gente, índios como outros quaisquer.

Impossível decifrá-los à primeira vista, deslumbrados com o design modificado de seus PCs ou com a possibilidade de se ligar um liquidificador através de um programa de código aberto. Por hora, basta entender que a garotada saiu da toca e foi à Campus Party se divertir numa monumental LanHouse. Cada louco com a sua mania, mas tudo tem limites. Qual dessas maluquices não passou (ainda) pela cabeça ou diante dos olhos dessa turma decidida a mudar o mundo:

a)sandálias para prostitutas com tela de LCD e alarme antiviolência

b)software simulador de luta que permite ao usuário entrar em cena e socar Mahatma Gandhi

c)robô que engole e cospe bolinhas de tênis

d)piercing com modo vibrador para sinal de celular

Fonte: O Estado de São Paulo - Seção Home - WEB


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