Deu no Valor Economico: Festa ‘high-tec’ reúne comunidades de micreiros na Bienal do Ibirapuera

Branco, da Campus Party Brasil: espaço para compartilhar conhecimento
Na última sexta-feira, Vladimir Guevara, 29 anos, e Ariela Salazar, 23, partiram num ônibus na cidade de Neuquén, no sudoeste da Argentina, rumo a Buenos Aires. De lá, com mochilas nas costas, travesseiros e laptops embaixo do braço, tomaram um segundo coletivo, dessa vez para São Paulo. Depois de quase 40 horas de viagem, finalmente chegaram ontem ao prédio da Bienal do Ibirapuera, antes das 6 da manhã. “Somos os primeiros da fila e estamos muito felizes de estar aqui”, diz Guevara, analista de sistemas que pediu licença de uma semana do trabalho para vir ao Brasil . “É verdade, ele não perderia esse evento por nada no mundo”, apóia a namorada Ariela, que aguarda sentada a abertura da porta da Bienal, ao meio-dia.
A disposição do casal argentino ilustra bem o espírito do público que, ao longo desta semana, marcará presença no Campus Party Brazil, um tipo de fórum mundial da internet que uma vez por ano reúne comunidades de micreiros vindos de toda parte. Até domingo, mais de mil pessoas ficarão acampadas em pequenas barracas instaladas no segundo andar do prédio da Bienal. Ali, além de 3 mil pontos de redes disponíveis para os visitantes, há espaço para alimentação, banho e até massagem.
A semana terá 320 eventos, entre palestras e cursos. “Não é só uma grande festa, é um espaço para compartilhar conhecimento, para o encontro físico das pessoas”, diz Marcelo Branco, diretor-geral da Campus Party Brasil.
Esta é a 12ª edição do evento e a primeira vez que ele acontece fora de seu país de origem, a Espanha. A edição brasileira, comenta Branco, consumiu R$ 10 milhões em investimentos. A operadora Telefônica, que já participou das edições anteriores, instalou um link de 5 gigabytes para suportar a rede. É capacidade suficiente para baixar, por exemplo, todo o conteúdo dos 5 milhões de livros da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em apenas duas horas. “Individualmente, nunca uma empresa chegou a contratar um link desse porte”, diz Ari Falarini, diretor de planejamento e engenharia da Telefônica.
A festança da web também funciona como um laboratório para empresas avaliarem tendências e comportamento do usuário. A fabricante de chips Intel enviou o etnógrafo Rogério de Paula para observar de perto. “O evento ajuda a entender como se posicionar com grupos como a comunidade de ‘gamers’, por exemplo”, diz.
A agenda do evento está dividida em dez temáticas principais, grade que inclui assuntos como astronomia, desenvolvimento de software, jogos, música, robótica, simulação e software livre.
Segundo Sergio Amadeu, diretor de conteúdo da Campus Party, mil professores da rede pública de ensino de São Paulo participarão de oficinas para replicar cursos em sala de aula. “O objetivo é consolidar esse evento como um ponto de encontro de comunidades, um local para compartilhar conhecimento”, diz Amadeu, que é ex-diretor do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).
A abertura do evento, para não contrariar a sua proposta, também é um tanto incomum. Estava prevista para a meia-noite de ontem a abertura oficial, com presença do prefeito Gilberto Kassab e do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Com luzes e computadores desligados, todos fazem uma contagem regressiva de dez segundos. Então começa a festa.
As 3 mil inscrições para acesso à área restrita do evento encerram-se há algumas semanas. A expectativa dos organizadores é que 30 mil pessoas visitem a área livre do evento até domingo.








